Durante vários anos, trabalhei a acompanhar pessoas e equipas em contextos de mudança, incerteza e tomada de decisão. Essa experiência ensinou-me a escutar para além do que é dito, a fazer perguntas, a organizar o que parece disperso e a tornar informação complexa mais acessível. Ensinou-me também que apoiar alguém não é indicar-lhe o caminho, mas ajudá-la a encontrar o seu.
Entre 2022 e 2023, percorri o caminho da maternidade a solo e realizei três tratamentos de fertilidade que não tiveram o desfecho que desejava. Foi uma experiência marcada pelo desejo, pela vulnerabilidade, pela espera e por decisões profundamente pessoais.
Esse percurso não me deu a experiência da gravidez, do parto ou da maternidade, e não pretendo apresentá-lo como equivalente. Deu-me, porém, uma relação mais próxima com a complexidade emocional que pode existir em torno da maternidade e com a importância de ser acompanhada sem julgamentos, projeções ou respostas fáceis.
A decisão de me tornar doula nasceu de um caminho mais amplo de procura e aprendizagem. O meu percurso pessoal e a experiência que fui construindo no acompanhamento de outras pessoas encontraram-se no desejo de oferecer às mulheres uma presença humana, responsável e respeitadora da sua autonomia.