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Informação

O papel da doula

Uma presença que acompanha, informa e apoia

A doula acompanha a mulher durante a gravidez, o parto e o pós-parto, oferecendo apoio emocional, informativo e prático.

O seu papel não é substituir profissionais de saúde nem tomar decisões pela mulher. É estar presente, ajudar a compreender opções, apoiar a preparação e criar espaço para que cada mulher possa viver este período com mais informação, confiança e autonomia.

Uma presença ao longo da gravidez, parto e pós-parto

As necessidades mudam ao longo da gravidez, do nascimento e das primeiras semanas depois do parto.

Durante a gravidez, a doula pode ajudar a explorar expectativas, dúvidas, receios e preferências, a preparar o parto e o pós-parto e a encontrar informação relevante para as decisões que vão surgindo.

Durante o trabalho de parto, oferece presença contínua, apoio emocional e medidas de conforto, adaptando-se ao que a mulher necessita em cada momento.

No pós-parto, pode oferecer apoio emocional e prático durante um período de grande adaptação, ajudando a criar espaço para a recuperação, para o bebé e para a nova dinâmica familiar.

Como uma doula pode apoiar

Apoio emocional

Ter alguém disponível para escutar sem julgar, acolher dúvidas e receios e permanecer presente mesmo nos momentos mais exigentes.

O apoio da doula procura oferecer segurança relacional e emocional, continuidade e uma presença ajustada àquilo de que cada mulher necessita.

Apoio informativo

Ao longo da gravidez e do parto podem surgir muitas decisões.

A doula pode ajudar a procurar e compreender informação sobre opções, intervenções e práticas relacionadas com a gravidez, o parto e o pós-parto, recorrendo a fontes fiáveis e distinguindo aquilo que se sabe daquilo que permanece incerto.

Pode também ajudar a organizar dúvidas e a preparar perguntas para discutir com os profissionais de saúde.

Informar não significa decidir. A decisão pertence sempre à mulher, em articulação com os profissionais responsáveis pelos seus cuidados sempre que esteja em causa uma questão clínica.

Apoio físico e prático

Durante o trabalho de parto, o apoio pode incluir medidas não clínicas de conforto, como movimento, posições, respiração, toque, ambiente ou outras estratégias que façam sentido para aquela mulher.

Na gravidez e no pós-parto, pode também existir apoio prático dentro do âmbito do acompanhamento acordado.

Apoiar sem ocupar o teu lugar

Uma doula não está ali para te dizer qual é a escolha certa.

Pode ajudar-te a perceber quais são as tuas prioridades, a explorar alternativas, a procurar informação e a preparar conversas com a equipa que te acompanha.

Pode igualmente apoiar-te quando aquilo que desejavas deixa de ser possível e é necessário adaptar expectativas ou tomar novas decisões.

O objetivo não é conduzir a experiência numa determinada direção, mas ajudar-te a permanecer participante nas decisões sobre o teu corpo, o teu bebé e o teu parto.

O que uma doula não faz

A doula não substitui médicos, enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica ou outros profissionais de saúde.

No exercício deste papel, não:

  • diagnostica condições de saúde;
  • realiza avaliações clínicas da mãe ou do bebé;
  • prescreve ou altera medicação, suplementos ou tratamentos;
  • interpreta exames com finalidade diagnóstica;
  • determina qual deve ser uma decisão médica ou obstétrica;
  • substitui o acompanhamento ou a responsabilidade da equipa de saúde.

Sempre que uma necessidade ultrapasse as suas competências, exija avaliação clínica ou pertença a outra área profissional, a doula reconhece esse limite e orienta a mulher para procurar apoio adequado.

O que sabemos sobre o apoio contínuo durante o parto

A evidência disponível sugere que o apoio contínuo durante o trabalho de parto pode contribuir para alguns resultados maternos mais favoráveis e para uma experiência de parto mais positiva. [1] [2]

Uma revisão sistemática Cochrane encontrou, entre as mulheres que receberam apoio contínuo, maior probabilidade de parto vaginal espontâneo e menor probabilidade de cesariana, utilização de analgesia e avaliação negativa da experiência de parto, entre outros resultados. Os próprios autores salientam, contudo, que os efeitos podem variar de acordo com o contexto e com as características de quem presta o apoio. [1]

A Organização Mundial da Saúde recomenda que a mulher tenha durante o trabalho de parto e nascimento um acompanhante da sua escolha. Esse acompanhante pode ser, por exemplo, o parceiro, um familiar, uma amiga ou uma doula. [2]

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) reconhece também o apoio contínuo individual durante o trabalho de parto como uma medida associada a melhores experiências e a alguns resultados obstétricos mais favoráveis. Em 2026, publicou ainda uma declaração específica sobre a colaboração entre doulas e equipas clínicas, considerando que relações positivas e sólidas entre ambas podem beneficiar as mulheres, os profissionais e o próprio ambiente de cuidados. [3] [4]

Isto não significa que ter uma doula garanta determinado tipo de parto ou resultado. O parto é influenciado por muitos fatores e nenhum acompanhamento elimina a sua imprevisibilidade.

Doula e profissionais de saúde têm papéis diferentes

A doula e a equipa clínica não desempenham a mesma função.

Os profissionais de saúde são responsáveis pela vigilância, avaliação, diagnóstico e cuidados clínicos da mãe e do bebé.

A doula ocupa um espaço diferente: oferece continuidade, presença, apoio emocional, informação e conforto, sem assumir responsabilidades clínicas.

Quando estes papéis são respeitados, o acompanhamento da doula pode existir em complementaridade com os cuidados de saúde, e não em substituição ou oposição a eles.

Em 2026, o ACOG publicou uma orientação específica sobre a colaboração entre doulas e equipas clínicas, descrevendo o papel das doulas como complementar ao da equipa médica e recomendando relações de colaboração e respeito entre ambos. [4]

Referências

  1. Bohren MA, Hofmeyr GJ, Sakala C, Fukuzawa RK, Cuthbert A. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2017;7:CD003766. https://www.cochrane.org/pt/evidence/CD003766_continuous-support-women-during-childbirth (abre numa nova janela)

  2. World Health Organization. WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: World Health Organization; 2018. https://www.who.int/publications/i/item/9789241550215 (abre numa nova janela)

  3. American College of Obstetricians and Gynecologists. First and Second Stage Labor Management. Clinical Practice Guideline No. 8. Obstetrics & Gynecology. 2024;143(1):144–162. https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/clinical-practice-guideline/articles/2024/01/first-and-second-stage-labor-management (abre numa nova janela)

  4. American College of Obstetricians and Gynecologists’ Committee on Advancing Equity in Obstetric and Gynecologic Health Care. Partnering With Doulas in Clinical Settings. Committee Statement No. 31. Obstetrics & Gynecology. 2026;148(2):e139–e149. https://www.acog.org/clinical/clinical-guidance/committee-statement/articles/2026/08/partnering-with-doulas-in-clinical-settings (abre numa nova janela)

Talvez este tipo de acompanhamento faça sentido para ti

Não existe uma forma certa de viver uma gravidez, um parto ou um pós-parto.

Se procuras acompanhamento próximo, espaço para fazer perguntas, informação cuidada e uma presença que respeite as tuas escolhas, podemos conversar sobre aquilo de que precisas e perceber se sou a pessoa certa para te acompanhar.

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